
Estou em casa só... De braços que me abraçam, de conversas soltas na mesa, de troca de olhares, de divisão dos afazeres, e aqui, reina o silêncio de fora... enquanto em mim, há barulhos, e, quem sabe até entulhos que impedem o prazer de chegar aos meus dedos. Contudo, digito!
Com este silêncio autoritário, brigo, não gosto de ser por ele manipulada, mas sua força hoje se coloca esmagando qualquer possibilidade de em mim, eu, hoje, mandar.
E rendida no silêncio das palavras, ouço a voz do que nem sempre consigo encarar, percebendo minha pequenez, minha incapacidade de qualquer coisa controlar... Seria isso provar um pouco da morte? A morte, definitivamente, agora, não me parece rondar, mas a morte, se coloca diante do que eu quero viver e não consigo. E, visitando-me sem estar, agora, presente, provoca em mim o pensar sobre o significado da vida que eu quero viver, estreitando em mim os laços com quem amo, afinal, por quanto tempo os terei?

Por um instante desejo a morte sondar, mas só por um instante, não me perderei nessa loucura de tentar desvendar os mistérios do cosmo, antes, hoje, no silêncio que se faz entre as minhas paredes, decido pela Vida.
Não esta vida, corpo, alma, que recebi para aqui compartilhar, mas A Vida, que em Cristo, recebi.
NEle, minha esperança se alarga. NEle tudo faz sentido. NEle, o efêmero se reveste das cores mais brilhantes, que desconfio, que a eternidade deve abrigar. Por Ele, quero viver e não deixar com que nenhum entulho mate dentro de mim, a vida que Ele sempre quer me dá.